Mobilidade do futuro: o smartcar vem aí

Mobilidade do futuro: o smartcar vem aí

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Camila Farani

27 de outubro • 7 min

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Camila Farani

27 de out • 7 min

Carros sem volante, acelerador, freio e sem queima de combustível. Isso parece muito futurístico para você? Segundo projeções do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), maior organização técnico-profissional do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, os carros serão muito diferentes em poucos anos.

Aliás, se tem uma indústria que está passando por uma transformação gigante, essa é a automobilística. E não estamos falando apenas da tecnologia pura e simples, mas dos novos comportamentos dos consumidores, cada vez mais adeptos das facilidades do mundo digital, do compartilhamento (e não da posse dos carros) e de produtos mais alinhados com os cuidados com o meio ambiente.

Não é à toa que as viagens com bicicletas e e-scooters compartilhadas aumentaram 60% ano após ano. A mais recente pesquisa realizada pela McKinsey sobre o tema, projeta que o uso médio de bicicletas pode aumentar mais de 10% no mundo pós-pandemia em comparação com níveis de pandemia.

Eu ouvi de um executivo da indústria automotiva um tempo atrás que os veículos seriam, cada vez mais, software sob rodas. De fato, isso está acontecendo. Tanto que as grandes montadoras já não olham apenas para os tradicionais concorrentes, mas para empresas como Apple, Google, Tesla e, claro, também os fabricantes de bicicletas e scooters. O mundo está mudando rápido e todos os caminhos levam para a lógica do smartcar, o carro inteligente.

A tecnologia também está se tornando determinante na hora de o consumidor escolher seu automóvel – e isso porque as pessoas estão demandando isso das empresas. Segundo matéria do Valor Econômico e o levantamento da empresa de pesquisa GfK, nos Estados Unidos, 55% das pessoas interessadas em trocar o carro afirmam levar esse fator em consideração. Seis em cada dez compradores dão especial atenção à integração do veículo com assistentes digitais que já usam em casa ou no celular, como Alexa, da Amazon, e Google Home.

Sem falar nos carros autônomos, uma realidade muito esperada e que se tornará cada vez mais real com a chegada da tecnologia 5G (em novembro teremos o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações das licenças da quinta geração no Brasil). Sim, no futuro próximo, os motoristas humanos serão mais raros e dispensáveis. É o caso do protótipo de carro do Google, que não tem volante, nem acelerador ou freio. Só um botão de emergência. A previsão é de que os carros serão capazes de viajar do ponto A até o ponto B, saberão o caminho a ser traçado e desviarão de obstáculos, tudo isso sendo feito com mais segurança do que nós humanos somos capazes de fazer atualmente. Muitos testes estão sendo feitos, e deveremos ver as empresas avançarem muito nisso nos próximos anos.

Mas, o que planejam as empresas automotivas?

No futuro, um carro econômico e com bom desempenho não estará fazendo nada além da sua obrigação, aponta o diretor geral da Volvo. Essa é a realidade que nos espera, assim como aconteceu com o smartphone e a Smar TV, cujas funções básicas são essenciais.

Com esta mesma essência, e pensando na conectividade do dia a dia das pessoas, é que as empresas de automóveis estão trabalhando com foco em tecnologia e inovação. Veja o plano das empresas Porsche, Volvo e BMW para o mercado de veículos:

1. Porsche

A empresa planeja investir mais de €1 bilhão em dois alvos considerados essenciais: eletrificação e digitalização. Este último ficará com 80% dos recursos. “Potência e design ainda são apelos fortes num carro, mas a indústria precisa se dedicar às novas gerações, que demonstram habilidade com a conectividade cada vez mais cedo”, afirma o presidente, Andreas Marquardt.

2. Volvo

Hoje o consumidor precisa conectar seu smartphone ao automóvel por cabo USB ou espelhamento via bluetooth e, para isso acontecer, usa o seu pacote de dados do celular. A novidade é que as montadoras começaram a incluir chips em seus veículos para fazer com que a conexão seja realizada pelo próprio veículo. No caso da Volvo, a empresa já lançou modelos em que o usuário pode acessar todos os seus aplicativos sem precisar do smartphone. O carro já sai da montadora com um pacote de dados ilimitado, sem custo adicional, pelo período de quatro anos.

3. BMW

A BMW já tem 65 mil carros conectados no Brasil e planeja chegar ao fim do ano de 2021 com 70 mil. A empresa criou um sistema próprio, com recursos de navegação e concierge, que é atualizado a distância. A companhia arca com o custo do pacote de dados por três anos. A renovação pode ser feita diretamente com a montadora. Essa abordagem mostra o quanto o setor automotivo fica cada vez mais parecido com o de tecnologia. Com a nuvem computacional, o consumidor não precisa ir a uma loja para comprar um pacote de software, como ocorria no passado. Ele pode fazer uma assinatura e ter, sempre, a versão mais atualizada.

4. General Motors

A empresa anunciou uma aliança tecnológica com nada mais nada menos que a Amazon. No acordo, o serviço de emergência chamado OnStar, que já era da montadora, agora poderá ser acionado por meio de qualquer dispositivo com a assistente Alexa, como celulares, TVs e computadores. A pessoa que suspeitar que sua casa está sendo invadida, por exemplo, poderá chamar a polícia pelo OnStar, usando comando de voz, mesmo que não tenha um carro. A ideia da companhia é ir além de seu negócio tradicional, diversificar as fontes de receita e ampliar o público-alvo, segundo afirma o presidente da GM na América do Sul, Santiago Chamorro.

Transformações tecnológicas e o consumidor

As transformações tecnológicas trazem muitos avanços. Isso também serve para a comunicação das montadoras com o seu consumidor, que precisou mudar para estar em sintonia com os desejos dos clientes.

O fato é que a tecnologia está fazendo com que as empresas automobilísticas se dirijam a um público mais diversificado. É o que ressalta o diretor de Marketing do grupo Caoa (que produz e vende as marcas Hyundai, Chery e Subaru), Marcello Braga. Segundo ele, pesquisas indicam que mais de 60% das compras de carro são influenciadas pelas mulheres, que estão mais envolvidas com os produtos.

Não só a conectividade, mas a melhoria de desempenho e segurança estão no foco do mix entre montadoras e empresas de tecnologia. Hoje, o carro já pode ser considerado um computador que roda por conta de dispositivos que são essenciais para coletar dados, como por exemplo ângulo de direção, marcha, aceleração, entre outros, que o veículo mede o tempo inteiro.

O importante disso tudo é entender que a maneira de comprar automóveis mudou. Antes da internet se tornar uma realidade implacável da nossa vida, o consumidor visitava, em média, cinco concessionárias até decidir qual veículo comprar. Hoje, o mesmo consumidor faz pesquisas pela internet e fecha negócio com menos de duas visitas.

E, por fim, mas não menos importante, é o trunfo e fronteiriço tecnológico que teremos com a chegada do 5G. A nova rede trará mais velocidade, ampliará a área de cobertura e tornará as conexões mais estáveis. Todos esses fatores abrirão caminho para o “smartcar”.

E o Brasil nessa história?

O Brasil começa a ganhar relevância no desenvolvimento dos sistemas digitais dos carros, segundo matéria do Valor Econômico. Há quatro anos, a equipe de engenharia da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) criou uma plataforma de entretenimento e informação que hoje é usada em modelos produzidos pelo grupo em fábricas da Índia, Rússia e do México, entre outros lugares.

Isso só demonstra que as novas demandas do consumidor são tão determinantes que estão modificando o mercado de automóveis, tanto que é possível notar uma mudança no perfil de profissionais que trabalham nas fábricas de carros do Brasil. Um exemplo disso é o que acontece na Volkswagen, que, além do desenvolvimento de softwares e equipamentos, a equipe do centro de conectividade, de 50 pessoas, se dedica a estudar como os proprietários de veículos usam a tecnologia.

Ou seja, é aquela velha história: entenda o seu consumidor e você oferecerá a solução certa para a dor dele. E tubarão que é tubarão, sabe qual é o seu perfil ideal de consumidor e pensa sempre na solução para o problema. Afinal de contas, o seu mercado depende disso.

Por isso, é necessário ficar por dentro das inovações e das transformações tecnológicas que acontecem no mundo business. Assim, você pode ter novos insights, inspirações e soluções, além de nadar num oceano azul.

 

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