Que conteúdo deseja pesquisar?

Exemplo: startups, shark tank brasil, modelo de pitch

Blog da Camila Farani

Notícias e Conteúdos Exclusivos

Empire Magazine dez/18. Entrevista de Capa

Camila Farani é um dos “tubarões” do Shark Tank Brasil. Premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards em 2016 e 2018, ela é sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups. Em 2014, co-fundou o grupo Mulheres Investidoras Anjo de incentivo a mulheres empreendedoras. De 2016 a 2018, presidiu o Gávea Angels, um dos primeiros grupos de investimento anjo do Brasil. Empreendedora desde 2001, também é sócia e criadora do Grupo Boxx (alimentação) e Innovaty (educação). É advogada, com pós-graduação em Marketing e especializações em Empreendedorismo e Inovação por Stanford e MIT.

Camila, conte um pouco de sua trajetória e de como o empreendedorismo surgiu na sua vida?

R: Comecei vivenciando os problemas reais de se empreender em um país como o nosso. Perdi meu pai aos 4 anos e a força da minha mãe sempre me inspirou para superar as dificuldades e seguir acreditando na vida sempre. Ela administrava uma charutaria e, com 20 anos, me propus a aumentar em 30% o faturamento do negócio dela criando uma pequena inovação ligada a novos produtos. E combinei com ela que, se o desafio que eu propunha desse certo, passaria a ter porcentagem da empresa. Consegui 28% e minha mãe resolveu me recompensar porque eu provei que eu tinha capacidade de fazer ideias aconteceram através de resultados e não baseado em idéias . Foi minha investidora anjo. Esse aprendizado carrego comigo em tudo que faço. Com 20 para 21 anos fui abrindo outros negócios na área de alimentação. Na quarta operação própria comecei a perceber uma demanda por comida saudável. Então decidi abrir a  Farani Fresh Food, um fast food saudável. Foi o primeiro negócio que eu entrei com 100% do meu capital. Desde então crio negócios na área de alimentação e educação.

Como o interesse das mulheres por empreendedorismo evoluiu ao longo do tempo?

R: As mulheres empreendem também por paixão por propósito, mas também por necessidade. A realidade é que hoje muitas mulheres sustentam famílias. Houve crescimento, sem dúvida nenhuma. O estudo do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), coordenada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), mostra que as mulheres do Brasil ultrapassaram os homens na criação de novos negócios. A taxa de empreendedorismo feminino de empresas com até três anos e meio de existência ficou em 15,4% frente aos 12,6% entre os homens. Os dados do Banco Mundial mostram que entre 25% a 35% das empresas privadas são operadas por mulheres e estima-se que, em 2028, esse número cresça para 75%. Então criar um ambiente para discutir empreendedorismo, capacitação e autoestima é importante. Ainda temos um caminho longo no sentido de fortalecer as competências da mulher como empreendedora, empresária e gestora, mas sem dúvidas está cada vez mais convidativo a nós.

Quais são as maiores dificuldades de hoje para as mulheres que querem empreender?

R: Acredito que é conciliar todos os papéis mesmo e acreditar em si mesma. A organização do tempo e da questão financeira também são fatores cruciais. Tento passar pra elas a necessidade de estipular metas, indicadores e objetivos. Isso é até por uma questão histórica. A mulher se inseriu no mercado de trabalho muito depois do homem. É uma questão de tempo e dedicação para isso mudar.

Você trabalha em um mercado que é composto por uma grande maioria masculina. Como lida com isso?

R: Não é uma coisa que realmente me incomode. Talvez por ter começado lá na charutaria em um ambiente 90% masculino. O mais importante é o nível de complementariedade que  temos de ter com seus pares. Mulheres ou homens.

Quais benefícios e vantagens você enxerga no empreendedorismo como uma opção de vida?

R: Sou suspeita pra falar sobre esse assunto, mas acredito que principalmente fazer a diferença na vida da sociedade. O empreendedor antes de tudo tem um comprometimento em melhorar a vida das pessoas, do seu mercado. Ele é um inovador, um agente de mudanças.

Muita gente ainda acha que ser dono do seu próprio negócio significa trabalhar menos ou ficar rico rapidamente, dois equívocos. Um empreendedor pensa e vive seu negócio 24 horas por dia. É suor e prazer ao mesmo tempo. Dinheiro é consequência do trabalho, dedicação e escolhas a médio e longo prazo.

Concordo com o Jorge Paulo Lemann quando ele diz que “os empreendedores vão mudar o mundo”. O que seria melhor do que fazer parte dessa transformação?

Preciso de um investidor e não sei por onde começar. O que fazer?

R: O primeiro ponto e talvez mais importante é o Modelo de Negócio. Ele precisa mostrar a tração de usuários e receita e escalabilidade. Modelos com tecnologia envolvida, seja de hardware ou software, geralmente possuem esses fatores de forma mais perceptível. O retorno para o investidor anjo  costuma ser mais factível embora seja um mercado de alto risco. Pessoas multidisciplinares que tenham as expertises necessárias para performar. A parte financeira também é muito importante. Para buscar investimento, a startup precisa ter um caixa de pelo menos 12 meses. Muitas vezes a startup quebra porque não tem dinheiro, não gere bem seu fluxo de caixa.

Conte um pouco sobre a criação do MIA (Mulheres Investimento Anjo). Como funciona o grupo e qual é o seu objetivo?

R: O MIA surgiu, em 2014, a partir de uma paixão e de uma dor, que é a falta de mulheres no ecossistema empreendedor. Era um sentimento em comum das co-fundadoras Maria Rita Spina (Anjos do Brasil) e Ana Fontes (Rede Mulher Empreendedora). Dedicamos nosso tempo em prol do movimento de sensibilizar, capacitar e investir em empreendedoras. Tem por premissa aumentar o número investidoras anjo em nosso país também. Nosso aporte financeiro e intelectual é somente em projetos que tenha uma mulher com cargo de liderança dentro da startup. No nosso site mulheres investidoras.net as mulheres podem se cadastrar e receber as novidades dos acontecimentos do MIA.

Como é ser um tubarão no programa Shark Tank Brasil?

R: Já admirava a versão americana. Assim que a Sony me chamou para fazer participações na primeira temporada, eu fiquei empolgada, honrada e com um certo receio pois a exposição tem seus ônus e bônus, mas entende que o programa tem um caráter educacional. Como investidora vejo que ele é a melhor forma de educar pessoas e avaliar bons negócios. A Sony e a produtora são criteriosas não apenas na seleção dos empreendedores, mas também dos jurados. Na minha participação como shark, busco ser eu mesma. Ter um olhar objetivo, sensível e olhando sempre a estratégia do negócio.

Camila Farani hoje é um produto, uma marca onde todos grandes eventos querem você para palestrar, conte sobre essa área das Palestras?

R: Casou com meu propósito de vida que é transformar as pessoas através do empreendedorismo para que sejam protagonistas de suas vidas. Receber um abraço apertado e ouvir que você muda a vida das pessoas tem um efeito magnífico. É a forma que eu consigo também de estar perto dos apreciadores do meu trabalho.

Como avalia seu trabalho? O que mais te motiva?

R: Meu propósito é tornar as pessoas autoras das suas vidas. Isso não tem a ver com negócios. Tem a ver com atitude. Quando eu entendi que por meio do Shark Tank Brasil, do investimento-anjo, das capacitações e palestras pelo Brasil eu conseguiria chegar próximo a esse sonho, eu descobri um propósito. O que me motiva é transformar pessoas.

O que vem para 2019 com Camila Farani?

R: Mais maturidade para escolhas, crescimento das unidades de negócios e muito estudo.

Qual a importância de uma Revista e Multiplataforma Empire magazine para o Empreendedorismo?

R: Quanto mais conteúdo tivermos abordando o tema do Empreendedorismo e da Inovação no Brasil, mais pessoas serão impactadas, mais pessoas se sentirão encorajadas para dar um próximo passo, acreditar nas suas ideias, fazer acontecer. Então parabenizo todos os envolvidos e desejo sucesso longo à Revista Empire!

Camila Farani

Entre em contato ou siga-me nas redes sociais