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Blog da Camila Farani

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A guerra dos “streamings”: qual será o futuro da mídia?

Você sabia que uma inovação disruptiva pode reestruturar completamente um segmento? Você se lembra da última vez que usou o aparelho de DVD ou que assistiu um filme na TV aberta ou fechada? Incrível, mas as plataformas de streaming estão cada dia mais onipresentes no nosso cotidiano e estão mudando a forma de distribuição e consumo do conteúdo digital. Um grandioso mercado se abre. Consequentemente, os gigantes da tecnologia estão seguindo a tendência e entrando forte nesse novo nicho de cifras escaláveis.


A maior plataforma de streaming no mundo é a Netflix, que alcança 139 milhões de assinantes em 190 países. A empresa investiu US$ 12 bilhões em conteúdo no ano passado, 35% a mais do que em 2017, e já anunciou 250 novos produtos originais nos próximos anos. A previsão é que a empresa chegue a 201 milhões de assinantes, em 2023, segundo a Digital TV Research. O resultado desse investimento: 2019 foi a primeira vez que uma produção para streaming ganhou um Oscar, na verdade, foram quatro estatuetas. Algo realmente mudou.


A Amazon também embarcou forte nesse mercado e estimativas da Consumer Intelligence Research Partners (CIRP) mostram que ela já atingiu a casa dos 100 milhões de assinantes só nos Estados Unidos, onde o serviço inclui também descontos na entrega de produtos, por exemplo.


Estou falando de um mercado em alta. Segundo levantamento da FX Research, desde 2014, o número de séries roteirizadas nos serviços de streaming cresceram 385%. Em 2018, eram 160 séries no ar, o que representa 32% do total produzido no mundo. Enquanto isso, os canais abertos ficaram com 30% da produção. Em 2018, o Ibope Conecta e Omelete Group apontaram que 76% das pessoas escolhem o streaming pelo preço e que o consumo de TV por assinatura diminuiu de 73% em 2014 para 68% em 2017.


Segundo o App Annie, companhia de análise do mercado mobile, o Brasil já é o sexto país que mais gasta tempo em plataformas desse setor. A partir de 2017, quando a Netflix e outras plataformas começaram a se popularizar por aqui, a pesquisa registrou uma alta de 90% no tempo de consumo, principalmente por causa de dispositivos móveis. Entre 2016 e 2018, o aumento foi de 130%. E isso inclui o próprio YouTube, que aparece como preferido dos brasileiros. O Brasil já é o terceiro maior mercado da Netflix, com 8 milhões de assinantes, atrás de Estados Unidos e Reino Unido, de acordo com estimativas da consultoria Futuresource. A projeção é que o país passe para a segunda posição em 2022.


E isso é só o começo. Com a chegada de mais gigantes de peso, com o Disney+, o Apple TV+ e a HBO Max, da Warner Media, a disputa vai ficar mais quente. Já em novembro, a Disney lançará seu serviço nos Estados Unidos com a estratégia de lançar todos os live actions (filmes baseados nos desenhos clássicos) somente na plataforma streaming. Ou seja, o foco da empresa está na exclusividade de todo o conteúdo. Além disso, o Disney+ custará US$ 7, com transmissão de vídeo em 4K incluída, enquanto a Netflix só disponibiliza 4K no pacote mais caro.


Já para a “maçã”, com a queda substancial na venda de seus iPhones pelo mundo e o foco maior em serviços, as apostas recaem principalmente no Apple+. O diferencial é oferecer conteúdo original e sem anúncios através de uma assinatura mensal. O ponto negativo é que o serviço não terá um catálogo tão competitivo em conteúdo. Por outro lado, o acesso será facilitado. Quem possui um iPhone ou iPad poderá baixar o app facilmente e a outra vantagem é que usuários poderão ter uma TV por assinatura personalizada, com todo o conteúdo dos canais escolhidos disponível online ou offline. A data de lançamento ainda não foi divulgada, mas tudo indica que será em breve.


E você acha que isso se resume ao mercado americano? Pois a China está muito interessada em ter uma fatia grande. O país já possui diversas startups de streaming e cada dia aparece mais uma. De acordo com a Bloomberg, os players líderes por lá são o Huya e Douyu. A diferença é que na China esse mercado é impulsionado pela tendência dos games, investidas pela gigante Tencent. Nessa corrida, a Huya é líder e ultrapassou os 100 milhões de usuários ativos mensais. Número muito considerável.


A verdade é que nem a TV e nem o cinema irão acabar. Mas o fato é que essas grandes indústrias terão que se transformar para sobreviver, assim como a Kodak teve que se reposicionar com a chegada da foto digital, e tantas outras inovações disruptivas que mudaram a forma de consumo da sociedade. O fato é que estamos vivenciando um marco na mídia: a praticidade de ver conteúdo digital, direto da internet, em tempo real e em qualquer lugar, é o grande diferencial competitivo dos serviços de streaming. Grandes inovações transformam velhas formas de pensar, em novas formas de fazer.


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Camila Farani

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