Camila Farani conta 3 coisas que você precisa para convencer investidores

Camila é uma das pessoas mais qualificadas para falar do assunto no Brasil inteiro, sendo sócia e presidente da Gávea Angels

Camila Farani é um dos principais nomes do investimento-anjo brasileiro. Ela é a primeira mulher presidente do Gávea Angels, grupo de investimento-anjo, sócia da aceleradora ACE no Rio de Janeiro, e do Dealmatch, além de ser co-fundadora do MIA (Mulheres Investidoras Anjo) e jurada no reality-show “Shark Tank” do canal Sony.

Portanto, uma das pessoas mais qualificadas para falar do assunto no Brasil inteiro. E ela deu algumas dicas do que você deve saber antes de fazer um investimento-anjo ou de procurar um investidor-anjo para investir em sua empresa em uma entrevista. Para quem quer investir, o StartSe conta com uma oportunidade muito legal: é o Invest Class, que ocorre no dia 1º de dezembro em São Paulo e conta com alguns dos principais nomes do segmento no Brasil. Dê uma olhada aqui.

Confira a entrevista com ela:

Investimento-anjo é um termo relativamente novo e ainda gera muitas dúvidas. Como você o explicaria para um leigo no assunto?

CF: É um tipo de investimento realizado por pessoas físicas em startups, que por sua vez são empresas iniciantes, inovadoras, com potencial de crescimento exponencial e via de regra com tecnologia aplicada. Esse tipo de investidor é aquele que efetua aporte de capitais financeiro e humano, agindo como um verdadeiro “anjo” ao utilizar seu know-how para agregar mais valor à diferentes negócios com a contrapartida de ter uma participação minoritária na empresa como forma de não desmotivar quem está a frente do dia a dia do negócio, no caso o empreendedor. O movimento ocorre principalmente quando empreendedores já possuem negócios consolidados e procuram ajuda externa para dar o salto necessário para deslanchar de vez. Obviamente, o investimento-anjo incentiva o empreendedorismo, pois muitos são aqueles com boas ideias, mas sem o capital suficiente para tirá-las do papel.

Como você conheceu o termo e passou a atuar na área?

CF: Eu já tinha trilhado uma certa trajetória relacionada a empreendedorismo. Comecei a trabalhar na empresa da família cedo e aos 23 anos já comandava meu próprio negócio. Três anos depois, gerenciava quatro empresas, porém tinha mais contato com a prática. Quando abri a Farani Fresh, de alimentação saudável, fui convidada a ser diretora executiva de um novo projeto da rede Mundo Verde que tinha uma ideia similar e precisava de um empreendedor a frente. Após dois anos como executiva, ganhei bastante experiência em estrutura organizacional, viabilidade financeira e gestão. Meu primeiro contato real com o ecossistema de startups aconteceu quando fui convidada para participar de um fórum do Gávea Angels, um dos primeiros grupos de investimento-anjo no Brasil. Me apaixonei pela possibilidade de analisar empresas nascentes, desenvolver soluções para negócios de áreas com as quais eu nunca havia me envolvido e, principalmente, impactar as pessoas ao meu redor de forma positiva. Naquele dia, me vi em um auditório com mais de trinta homens, sendo a única mulher e aquilo me incomodou profundamente. Resolvi conhecer mais sobre esse mundo, aprendendo principalmente na prática, observando como o mercado de risco, os anjos e os venture capitalists se adaptavam a esse modelo. Para aprender mais sobre o mercado de startups, realizei um curso em Stanford. Adquiri esse conhecimento com quem já realizava esses movimentos, todos homens, obviamente. Agora, quero reverberar esse conhecimento para outras mulheres.

Como é ser uma mulher neste mercado de investimentos? Por que é importante aumentar a participação feminina na área?

CF: As mulheres ainda possuem pouco espaço no mercado de investimentos uma vez que historicamente são mais focadas em áreas de humanas, mas isso vem mudando ano após ano. Quando comecei a estudar mais a respeito dessa área, uma mulher que tinha uma empresa de cosméticos me disse que tinha grande dificuldade em dialogar sobre negócios porque não existiam investidoras. Resolvi arregaçar as mangas e fazer minha parte para tentar mudar essa realidade, pois eu já havia passado pelo mesmo. Quando tinha 25 anos, desejava abrir vários negócios, mas não tinha mulheres ao meu redor com quem pudesse trocar ideias ou pedir conselhos. Dessa forma, passei a me aproximar daquelas que pudessem contribuir com meu crescimento. Acredito que esse é um ponto que a mulher tem que entender e se conscientizar cada vez mais: a importância do associativismo e do networking. Você precisa se unir com pessoas que têm interesses semelhantes aos seus!

Como é possível mudar essa cultura? Você é responsável por uma iniciativa que busca maior participação de mulheres em negócios, não é?

CF: Sim. Em 2014, eu, Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora e Maria Rita Spina Bueno, da Anjos do Brasil, desenvolvemos o Mulheres Investidoras Anjo (MIA), primeiro movimento de fomento a esse tipo de investimento e apoio a empreendedoras do Brasil. A partir desta organização, pretendemos promover encontros entre mulheres que tenham potencial ou sejam investidoras-anjo ativas, além de compartilhar conhecimentos sobre a área e apresentar projetos em busca desse tipo de investimento. Queremos, cada vez mais, envolver as mulheres no mercado de investimentos e startups, abrindo portas e oportunidade para que elas façam diferença neste cenário e mostrem suas qualificações. Ao longo de dois anos, impactamos mais de 700 delas e investimos em dois negócios.

O que você diria para quem busca esse tipo de investimento? Como atrair um investidor-anjo?

CF: Antes de tudo, é preciso entender se existe a real necessidade de um. Por isso, se pergunte: você realmente precisa de investimento anjo? Você necessita de capital externo para poder crescer? Se sim, comece sua busca. No Brasil, temos inúmeros grupos que fazem este tipo de investimento, como o próprio Gávea Angels, a Anjos do Brasil, entre outros. Depois, pesquise minuciosamente o investidor que você pretende atingir. Conheça as áreas de interesse dele e de que forma ele pode aportar e ser relevante ao seu negócio. Depois, planeje sua apresentação. Você precisa ter três informações na ponta da língua: o problema que existe no mercado, como seu produto é a solução para tal e de que forma você monetizará seu modelo de negócio. A hora de mostrar sua empresa para um investidor é um momento crucial. É preciso mostrar sua vontade e fazer a pessoa acreditar naquilo com você. No final das contas, nós anjos, não somente aportamos capital, mas gostamos de sonhar junto com o empreendedor, fazer parte do desenvolvimento do negócio e mudar o mundo ao nosso redor.

Qual seu recado para mulheres que gostariam de empreender ou investir?

CF: Acredite em si mesma, entenda seus objetivos e crie metas. Persista e saiba que desafios sempre virão. As mulheres não podem se iludir, precisam acreditar em suas ideias e nunca desistir de seus sonhos e realizações. O mais importante é ser apaixonada por aquilo que faz, achando o equilíbrio certo entre sua vida pessoal e profissional. Acredito que assim é possível encontrar nosso potencial e conquistar o mundo.

Por que decidiu participar do “Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões”?

CF: Eu já acompanhava a versão norte-americana do reality e sempre vi o programa como uma boa oportunidade de empreendedores apresentarem suas ideias a investidores com real possibilidade de impactar o mercado. Fiquei extremamente feliz com a possibilidade de atuar ao lado de empresários tão talentosos e tê-los como “colegas tubarões”. Meu propósito principal é fazer com que cada vez mais as pessoas olhem dentro de si e sejam protagonistas de suas próprias histórias. E espero demonstrar isso durante minha passagem no “Shark Tank Brasil”. Embora o programa não seja de investimento anjo, indiretamente vejo mais curiosidade sobre o tema a partir da minha imagem e acho isso excelente para o movimento. Desejo que o assunto ganhe cada vez mais força, pois acredito que pode impactar – e muito – nosso país.

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By | 2017-02-22T22:54:55+00:00 fevereiro 21st, 2016|Sem categoria|