A palavra growth tem feito cada vez mais parte do vocabulário e da vida dos empreendedores mundo a fora. Isso porque a necessidade de crescer sempre esteve (e vai estar) presente no mundo dos negócios. Embora seja fantástica a ideia das empresas estarem se preocupando e levando o crescimento a sério, é importante que as empreendedores mantenham os olhos não apenas nas suas escolhas e ações, mas também nas consequências e desdobramentos para que possam, de fato, construir empresas sólidas e redes sustentáveis.Não se pode criar atalhos para os padrões de crescimento de longo prazo.É preciso descobrir primeiro se a sua empresa tem foco definido, estrutura e principalmente um propósito para cumprir no mercado/sociedade.

O crescimento instantâneo sempre significou valorização considerável para os investidores. Note, que no mercado a expressão“growth or die”,se refere muito mais a figura do investidor do que a do empreendedor. Mais valorização e consequentemente mais retorno para investidores, não significa obrigatoriamente benefícios para os empreendedores. Existem negócios que tem por principal característica o desenvolvimento por etapas, ou seja, que pode demorar um pouco a entrar na chamada “curva de adoção” (momento em que o mercado percebe o problema que seu produto ou serviço está solucionando). Isso pode fazer com que o investidor fique nervoso, aumente sua pressão sobre o empreendedor, que por vezes caminha na direção errada para atender logo quem colocou dinheiro. E a partir daí, neste contexto, as chances de cometer erros ao “forçar” um crescimento precoce e desestruturado são bem maiores. O ideal é que o tempo e a maturidade de cada negócio seja respeitado para que a ansiedade e vontade de fazer com que o tudo aconteça de forma rápida não comprometa o próprio futuro.

Antes de crescer é preciso conhecer e avaliar todos os lados e possibilidades. Além de ser uma tarefa naturalmente difícil, crescer significa ruptura e recomeços, entenda também como sinônimo de mudança. Para encarar tudo isso você e seu negócio precisam estar preparados, em outras palavras, pode ser bom ou ruim. Desde que não exista um planejamento e gestão adequados, sem a devida estruturação (física e humana),a qualidade dos seus produtos/serviços pode ficar comprometida, assim como o controle financeiro e do fluxo de caixa, a capacidade de atendimento, e ao colocar a empresa em um outro patamar de competição, mais agressivo, irá encontrar concorrentes com mais estrutura financeira, marcas mais sólidas e mercado mais estabelecido.

Em síntese, a reflexão que proponho aqui é se seu negócio crescer muito, você tem condições de administrar o que ele irá se tornar? Se você não estiver financeiramente preparado para um crescimento acima da média, como lidará com seus desafios de caixa? Como lidaria com um igual crescimento na sua inadimplência?Growthrequer mais gente, mais processos, mais dinheiro, mais controles, mais tudo.

Se você esta passado por este momento, algumas perguntas importantes devem ser respondidas antes de buscar um desafio de crescimento. Porque você precisa crescer? Quanto? Você tem as pessoas que precisa para isso? Seus controles estão prontos? Seus processos estão prontos para este próximo passo? Se você não teve condições de responder a todas ou teve dificuldades, são sinais de que talvez nem tudo esteja tão claro como deveria e que crescer neste momento poderá ser um passo fatal para seu negócio. Perceba ainda que nem sempre investir em crescimento desenfreado pode ser a melhor solução. Meu conselho é para que você se concentre em melhorar, sempre. Neste sentido o próprio growth em si se tornará uma consequência quase que natural e mais assertiva.

Dentro deste contexto de crescimento, consciência e propósito, tem um case que gosto muito, um negócio que foi criado para ajudar a mudar a cultura do fastfahion e do impulso de fazer compras. Trata-se de um serviço de aluguel de roupas e acessórios, chamado RenttheRunwayUnlimited, que também é conhecido no mercado americano como o “Netflix da moda”.

Para entender o que é e como funciona, pense em “um armário na nuvem”, ou seja, este é o primeiro serviço de assinatura do mundo da moda que dá às mulheres o acesso a uma infinidade de modelos por uma taxa mensal fixa. Por US $ 139 por mês, as assinantes podem alugar até três peças de vestuário e acessórios, e trocá-los por novos itens quantas vezes quiserem, durante o tempo que for.

De forma pioneira, a ideia sem dúvida irá contribuir efetivamente para estimular uma quebra de paradigma do universo feminino e é justamente essa a questão. Os pontos que chamo atenção aqui são alguns fatos tais como a estrutura adequada para oferecer o serviço, a oferta de um produto que vai de encontro à resolução de um problema, e a visão empreendedora da CEO Jennifer Hyman que tem pautado seus discursos em relação ao negócio sempre ligados ao prazer, conforto e solução para as mulheres.

Em um dos seus comunicados Hyman disse que “seu armário não precisa mais ser um cemitério para compras questionáveis e de tendências ruins. Segundo a CEO aRenttheRunwayUnlimited fornece a variedade e a qualidade de roupas que toda mulher precisa, permitindo que ela se divirta com a moda sem o compromisso da compra”.

Quando falo em estrutura e amplitude me refiro a o que seu negócio irá oferecer no mercado e como. O serviço da RenttheRunwayUnlimited, por exemplo, oferece mais de 350 marcas, com várias opções de tamanho. Para manter a seleção diversificada, os estoques são atualizados uma vez por semana. Além disso, para completar, há ainda um aplicativo do RenttheRunwayUnlimited, que permite que as usuárias combinem as mais variadas peças do estoque e também recebam dicas de looks específicos para cada ocasião.Logo temos produto – conveniência/personalização – solução. O único problema para nós brasileirasé que o serviço só está disponível nos Estados Unidos por enquanto.

GrowthHacking: crescimento, marketing e vendas
Como estamos falando sobre crescimento e sua relação com os negócios, o growthhacking não poderia ficar de fora. Apesar de não ser um termo novo, aqui no Brasil só agora a expressão tem ganhado força e espaço nas empresas.

O termo surgiu em 2010 com Sean Ellis, um empreendedor notável que ajudou diversas startups a alcançarem crescimento recorde. Com a repercussão dos seus feitos ele se tornou a fonte que todos no Vale do Silício iam para buscar ajuda. Quase eu de forma unanime, todos parecem concordar que se trata de um modo interessante de pensar a escalabilidade de uma startup, e suas técnicas de fato funcionam.

As técnicas e o pensamento utilizado por um growth hacker são um pouco diferentes do que as utilizadas no marketing tradicional. O foco é: como crescer sua empresa rapidamente usando as diversas técnicas disponíveis.Uma startup tem apenas um objetivo que é o crescimento, e é por isso que os empreendedores começaram a olhar de outra forma as novas possibilidades advindas do exterior. Não é uma questão de substituição em relação ao marketing conhecido e praticado no Brasil, são apenas focos e estratégias diferentes.

As startups, por exemplo, demandam mais criatividade e pensamento de compartilhamento online. Um growth hacker busca compreender como o consumidor se comporta online e usa esse conhecimento, juntamente com novas ideias e técnicas para divulgar e impulsionar a venda e conhecimento de seu produto, ou seja: crescimento.

Já li em vários lugares que growthhacking é o marketing para as startups, mas hoje em dia acredito que ele é uma categoria distinta, uma outra maneira de enxergar o crescimento de seu negócio. Não é segredo para ninguém que o marketing em uma startup deve ser mais enxuto possível no quesito dinheiro. Se tem uma coisa que um empreendedor sabe (ou precisaria saber) fazer, e se virar com pouca grana. Já o growthhacking usa os principais recursos de uma startup como seus aliados tais como: criatividade, agilidade, conhecimento e experimentação tecnológica. É analítico e busca novas maneiras para aproveitar a nova realidade online de compartilhamento e a facilidade dos produtos digitais como um impulso para seu crescimento.Não demorou para ser cada vez mais adotado por startups no mundo todo.

O fato é que por aqui ainda não se tem um consenso entre os especialistas da área se o growthhacking é uma disciplina a parte ou apenas o marketing voltado ao crescimento. Ou se essa denominação deve ser dada a um departamento (e a uma equipe) de uma empresa ou startup. Mas enfim, eu particularmente acredito que não chega a ser um novo marketing, mas uma evolução natural voltada para criatividade com estratégia de crescimento e tecnologia.

* Por Camila Farani

By | 2017-02-22T22:47:24+00:00 fevereiro 20th, 2016|Sem categoria|