Empreendedoras querem empoderar mulheres para que elas invistam e criem negócios 

Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino tenta melhorar número como o de investidoras anjo, que são apenas 9% do total 

SÃO PAULO – As brasileiras investem e empreendem menos que os homens. Isso é o que dizem as próprias empreendedoras e alguns dados sobre o ecossistema. Esse fenômeno, porém, é global. No dia mundial do empreendedorismo feminino, comemorado hoje, 19 de novembro, algumas mulheres tentam mudar esse cenário.

De acordo com a Anjos do Brasil, associação que fomenta o investimento anjo no País, apenas 9% dos 7.260 investidores nessa modalidade são mulheres. A diretora executiva da associação, Maria Rita Spina Bueno, mostra que essa disparidade é mundial. “Na Inglaterra, por exemplo, elas são cerca de 5% e, nos Estados Unidos, [a participação] foi de 11% para 20% nos últimos anos”. Para ela, ações que incentivem as mulheres a empreender ou investir são fundamentais.

Há dois anos surgiu o grupo Mulheres Investidoras Anjo (MIA). Maria Rita, que também é uma das fundadoras, acredita que é preciso mudar a cultura. “Tanto homens como mulheres precisam ver que é bom ter a diversidade como valor numa equipe”, afirma. Segundo ela, esse é um componente importante para a tomada de decisões nas empresas.

O grupo investe em companhias que têm mulheres em cargos relevantes. “Não precisa ser fundadora, mas elas têm que ter participação ativa no negócio”, explica. Fundado há dois anos, o MIA investiu em duas empresas: o e-commerce de calçados femininos 33/34 e a prestadora de serviços para donos de animais de estimação Pet Anjo.

Apesar de não realizar nenhuma atividade especifica para a data, Maria Rita participou de palestra na Wayra Brasil, aceleradora de startups da Telefônica, com o tema #WomensAge – A Era das Mulheres, sobre como estimular o empreendedorismo feminino.

Fundadoras

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de mulheres empreendedoras cresceu 18% entre 2002 e 2012. No entanto, a maior parte do total de 7,3 milhões de empreendedoras conduzem micro ou pequenos negócios.

Nas startups o número é ainda mais baixo. Embora não exista nenhum dado oficial, as mulheres são minoria nos eventos de empreendedorismo pelo País.

Mundo digital

O crescimento das redes sociais foi e ainda é uma oportunidade para empreendedores conquistarem público e até uma nova fonte de renda. Observando esse movimento, Camila Porto, que era consultora de marketing digital, escreveu o livro ‘Facebook Marketing’ e criou um curso para ensinar as pessoas a usar as redes sociais, com foco no Facebook, de forma profissional.

Depois de ministrar o curso para mais de cinco mil alunos, Camila diz que buscar conhecimento de forma constante e “pensar fora da caixa” são atitudes necessárias para obter sucesso. Ela também cita a internet nesse contexto. “Está cada vez mais fácil adquirir conhecimento e buscar novas formas de trabalhar.”

Segundo Camila, a importância do Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, é que marcar uma data no calendário com essa finalidade deixa claro que “ainda há muitas coisas para mudar”.

Exposição

Um dos grandes nomes do empreendedorismo feminino no País hoje é Camila Farani. A carioca foi eleita como melhor investidor anjo do Brasil no prêmio Startup Awards. Além disso, participa do programa de televisão Shark Tank Brasil. Nele, os participantes apresentam rapidamente sua ideia ou produto e os investidores avaliam se vão realizar aportes nesses potenciais empreendedores.

Entre os 16 e os 20 anos de idade, ela trabalhou com sua mãe, que empreendeu por necessidade e abriu uma charutaria, em operação até hoje. Mas Camila resolveu implementar novos produtos na área de café, produto que também é comercializado na loja da mãe. “Foi algo simples, mas aumentou o faturamento em 28% e serviu como um gatilho para mim”, conta. Aos 21 anos, ela se tornou sócia no empreendimento.

Camila acredita que o potencial feminino é muito grande e que nunca se falou tanto nesse tema como hoje. Ela cita que 80% dos investimentos realizados no programa são liderados por mulheres. “Mas só coloquei dinheiro porque eu acredito nesses negócios, não por elas serem mulheres”, diz.

Segundo ela, fatores históricos fazem com que as mulheres tenham um pouco de medo ao empreender. “O grande problema é conseguir romper com essas barreiras emocionais”, afirma. Contudo, aposta num envolvimento cada vez maior delas, seja como investidoras ou líderes nas empresas.

http://www.dci.com.br/economia/empreendedoras-querem-empoderar-mulheres-para-que-elas-invistam-e-criem-negocios-id588417.html

By | 2017-02-22T22:55:37+00:00 fevereiro 22nd, 2016|Sem categoria|