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Blog da Camila Farani

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Investimento-anjo se aproxima de R$ 1 bi

O investimento de pessoas físicas em startups manteve crescimento nos últimos anos. Em 2017, os investidores-anjo aportaram um total de R$ 984 milhões em novatas, montante que representa um crescimento de 16% em relação ao ano anterior, segundo a associação de fomento Anjos do Brasil. No período, também houve aumento no número de investidores-anjo no país – ao todo, 7.615 pessoas físicas investem em startups.

Ainda que o investimento-anjo no Brasil esteja em trajetória ascendente, o estágio é embrionário quando comparado a países como EUA, Reino Unido, Portugal e outros. “No caso dos EUA, estamos falando de um mercado de US$ 20 bilhões. Apesar do caminho árduo a seguir, tenho visão otimista para o mercado brasileiro”, destaca a investidora-anjo Camila Farani, presidente da G2 Capital e uma das integrantes do programa “Shark Tank Brasil”.

Na avaliação de Camila, o Brasil passa por uma profissionalização dos investidores-anjo, associada ao amadurecimento das próprias startups criadas no país. Ao voltar cinco anos no tempo, a investidora nota que havia poucos grupos de anjos, cenário que tem mudado com o surgimento de algumas iniciativas, como MIT Angels e Insper Angels.

A própria Camila decidiu montar no fim de 2017 a G2 Capital, butique que já realizou sete investimentos em startups e possui outras dez no pipeline. Entre os segmentos na mira da G2 Capital estão marketplaces, retailtechs (varejo), edtechs (educação) e startups com modelo de receita SaaS (sigla para software as a service). Em seu portfólio pessoal, Camila tem mais de 30 startups.

A evolução do investimento-anjo tem a ver com a nova geração de empreendedores, segundo Cássio Spina, fundador da Anjos do Brasil, que reúne 18 grupos regionais de investidores-anjo. Outro impulso veio no ano passado com a entrada em vigor da Lei Complementar 155/2016, que regulamentou a figura do investidor-anjo. “A lei trouxe segurança jurídica. Mas ainda faltam estímulos para investir em startups, como no Reino Unido ou nos EUA”, aponta.

Com 25 startups investidas desde a fundação, em 2002, o Gávea Angels – hoje com 70 membros – já aplicou cerca de R$ 15 milhões em empresas novatas, entre elas, NutreBem e Descomplica. Neste ano, o grupo fez aportes que somam R$ 1 milhão em duas startups, conta João Ventura, presidente do Gávea Angels. “A partir do momento em que temos mais startups, passa a ter mais demanda por capital. Além disso, o número de eventos sobre empreendedorismo e startups cresceu bastante.”

Casos recentes como 99, Nubank e PagSeguro, que ultrapassaram US$ 1 bilhão em valor de mercado e se tornaram os chamados “unicórnios”, também ajudam a estimular novos investidores a aplicar em startups, comenta Leonardo Teixeira, diretor do Insper Angels e sócio da Iporanga Investimentos. Ainda assim, diz ele, uma das barreiras para o crescimento da modalidade é a falta de incentivos por parte de órgãos públicos.

Com um portfólio pessoal de 18 startups, incluindo Olist e Parafuzo, Teixeira está à frente do Insper Angels, formado em junho de 2017 e atualmente com 150 membros, todos ex-alunos do Insper. Desde que foi criado, o grupo já realizou quatro encontros presenciais, com apresentações de 13 empresas. Dessas, cinco receberam aportes. O tíquete médio de investimento do grupo é de R$ 75 mil. Ao todo, foram analisadas 70 empresas, filtradas pelo conselho antes de serem apresentadas aos membros do grupo.

Já a Rede de Investidores-Anjo de Santa Catarina (RIA-SC), fruto de parceria entre a Anjos do Brasil e a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), possui 40 membros. Desde que os fóruns de investimento começaram a ser realizados, em 2016, 34 startups foram apresentadas aos investidores e cinco delas receberam aportes dos membros. “Dois aportes estão em negociação e saem ainda este ano”, conta Marcelo Cazado, líder da RIA-SC. A seleção das empresas que serão apresentados aos investidores é feita por meio de edital. O valor médio investido é de R$ 260 mil por startup.

O próprio “Shark Tank”, cuja versão brasileira do programa exibido pela Sony está na terceira temporada, é sinal de popularização do empreendedorismo, diz o professor Newton Campos, coordenador do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getulio Vargas (GVcepe). Para ele, há um amadurecimento do mercado de investimento em startups como um todo, com capital para diferentes estágios de empresa.

Entre as que obtiveram aporte recente está a Incentiv, que acaba de captar mais de R$ 1 milhão em uma rodada com participação dos grupos de anjos Harvard Angels, Anjos do Brasil e Insper Angels. Ao todo, 54 investidores fizeram aportes.

O recurso permitiu o lançamento oficial da plataforma, assim como o investimento em novas funções, afirma Douglas Lopes, CEO da Incentiv. A startup foi criada com o objetivo de conectar causas sociais e apoiadores. “Todo ano, são aprovados R$ 10 bilhões de projetos em leis de incentivo fiscal, mas cerca de 60% desses projetos não são executados por falta de recursos. Ao mesmo tempo, apenas 3,4% das empresas aptas utilizam os benefícios fiscais no âmbito federal.”

No primeiro semestre de 2017, a Incentiv participou do programa de aceleração InovAtiva Brasil. “Foi durante o demoday, em julho do ano passado, que chamamos a atenção de potenciais investidores especializados em negócios de impacto social”, diz Lopes.

Desde o ano passado, a startup está incubada no Centro para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), em Florianópolis (SC), e no Cietec, incubadora da Universidade de São Paulo (USP). Daqui para frente, a meta é audaciosa: a empresa projeta crescer 230% este ano e quer levantar mais de R$ 20 milhões em 2019.

O caminho iniciado pela Incentiv já foi trilhado por muitas startups. Na prática, o impulso dado pelos investidores no estágio inicial das empresas abre caminho para fundos de venture capital investirem quantias maiores. E assim startups ganham musculatura, caso da Olist, lançada em fevereiro de 2015. O administrador Tiago Dalvi constatou, em 2014, as mudanças no e-commerce brasileiro e a maior presença on-line de grandes varejistas. Daí nasceu a Olist, maior loja de departamentos dos principais marketplaces do Brasil.

Na rodada “seed” (capital semente), iniciada em setembro de 2014 e concluída em janeiro de 2015, a startup captou US$ 835 mil com investidores-anjo. Nos anos seguintes, a empresa levantou três rodadas lideradas por Redpoint eventures e Valor Capital Group, com participação de outros fundos como 500 Startups, FJ Labs e Endeavor Catalyst. Na última, em janeiro deste ano, a startup recebeu US$ 5 milhões.

Desde a criação, em 2014, a Parafuzo captou aportes de anjos que totalizaram pouco mais de R$ 2,5 milhões, segundo Eduardo Campos, CEO da empresa. O empreendedor não só ergueu a startup, como também faz investimento-anjo. “Em 2012, fiz meu primeiro investimento em uma startup, a GymPass, que hoje já se internacionalizou e atua em mais de dez países”, conta.

No fim de 2013, ele percebeu que não existiam aplicativos que possibilitassem a contratação de serviços domiciliares. Dessa constatação surgiu a Parafuzo, hoje gerida por Campos e por Felipe Brasileiro, ex-executivo do fundo alemão Rocket Internet. Pelo aplicativo, é possível contratar serviços domésticos. A empresa tem 50 mil profissionais cadastrados e faturou R$ 19 milhões em 12 meses.

Fonte: Valor

Camila Farani

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