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Feito por mulheres: Camila Farani

Uma das primeiras mulheres a investir em startups no Brasil, Camila criou o MIA, grupo para ensinar mais mulheres a investir em negócios de tecnologia no Brasil

Camila criou um grupo para estimular outras mulheres a investir em startups

Camila Farani, de 34 anos, é uma das principais mulheres na cena do investimento-anjo no Brasil e uma das primeiras a atuar na área. Esse tipo de investimento feito por pessoas físicas em uma startup (empresas iniciantes de alto potencial de crescimento) é o responsável por tirar muitas ideias do papel (especialmente na área de tecnologia), mas o número de mulheres que atuam nessa atividade é inferior a 1%.

Foi com esse mote que, em 2014, Camila criou com Ana Fontes e Maria Rita Spina o Mulheres Investidoras Anjo (MIA), grupo que busca atrair mulheres para investir em startups no Brasil e, consequentemente, ajudar mais meninas a criar negócios inovadores. “Mulheres investem muito mais em mulheres e com isso conseguimos ter um impacto no ecossistema todo”, diz.

Ela tornou-se investidora-anjo depois de um amigo sugerir que ela conhecesse esse tipo de investimento. “Fui participar de um evento na Gávea (Angels) e sentei em um auditório com 35 homens. Me apaixonei pelo assunto e logo comecei a avaliar empresas”, diz ela, que hoje mantém 70% do seu dinheiro investido em startups. Antes disso, Camila já tinha uma longa jornada como empreendedora.

Ela nasceu em uma família que tinha como ponto central uma mulher empreendedora. Perdeu o pai aos 4 anos e cresceu vendo a mãe e o irmão administrar uma tabacaria no Rio de Janeiro para garantir o sustento da família. Aos 16 anos de idade ela começou a trabalhar no negócio e a sugerir inovações para a empresa. Foi quando ela teve o que chama de “despertar empreendedor”.

Enquanto cursava faculdade de direito, Camila guardou dinheiro e abriu negócios na área de alimentação. Aos 23 anos já comandava a própria empresa e aos 26 anos já tinha 4 negócios. De lá para cá, foi diretora da Mundo Verde, fez cursos de especialização e empreendedorismo na Universidade de Stanford e no Babson College, e continuou atuando na gestão da cafeteria – agora sob o guarda-chuva do Grupo Boxx, que também administra restaurantes de alimentação saudável.

Atualmente, Camila é cofundadora e diretora da Lab22, primeiro laboratório de investimento-anjo no Brasil, que se concentra em auxiliar na criação e gestão de startups de tecnologia desde 2012, e é vice-presidente  da Gávea Angels, associação privada, sem fins lucrativos, com o propósito de promover o desenvolvimento de startups. Também é professora em um curso de pós-graduação da FGV e participa de grupos e entidades focados em apoiar startups.

Seu próximo passo é escrever seu primeiro livro, Implacáveis, previsto para ser lançado no ano que vem, que irá mostrar cases de sucesso e ferramentas de engajamento direcionadas às mulheres empreendedoras.

Em entrevista ao Start, Camila falou mais sobre o papel das mulheres nos mercados de startups e de investimento e deu dicas para quem quer entrar na área.  A entrevista faz parte da seção Feito por Mulheres, que conta a história de mulheres que usam a tecnologia para mudar suas vidas, criar projetos inovadores e ganhar dinheiro. A premissa da série é mostrar mulheres que estão assumindo a liderança na web e no mundo da tecnologia para inspirar uma nova geração de empreendedoras. Confira os principais trechos:

Como você começou a investir em startups?
Fui participar de um evento na Gávea (Angels) e sentei em um auditório com 35 homens. Eu me apaixonei por investimento-anjo e comecei a avaliar empresas. Uma mulher na época me disse que tinha uma empresa de cosméticos e tinha uma grande dificuldade de dialogar sobre negócios porque não existiam investidoras. Nessa época, comecei a me dedicar de verdade (ao investimento-anjo). Depois fiz um curso em Stanford para entender a dinâmica das startups, mas sobre investimento eu aprendi na prática, estudando muito e observando como fundos de venture capital faziam para adaptar ao modelo de investimento-anjo. Dicas para quem quer entrar na área: o investidor-anjo analisa umas 10 startups no primeiro momento, não faz investimento de cara. Outra coisa: invista com quem já faz isso há mais tempo. Eu adotei essas premissas e aprendi com quem já fazia – todos homens, claro! Agora quero reverberar isso para o conhecimento chegar a outras mulheres.

Em que tipos de negócios você investiu até agora? Como os escolheu?
Em um primeiro momento eu queria aprender, então resolvi apostar em alguns projetos nos quais acredito, como uma empresa que tem a meta de mudar a alimentação das crianças no ambiente escolar, uma empresa que estuda o comportamento de consumo, a forma como as pessoas se comportam no varejo, e mais recentemente investi na 33/34, uma startup feminina que criou um comércio eletrônico para mulheres que usam sapatos  com baixa numeração. Investi em empresas de tecnologia e gostaria de ampliar meus investimentos nessa área, que ainda tem poucas mulheres. Meu foco, porém, é cada vez mais em alimentação e educação.

Camila é uma das primeiras investidoras-anjo do Brasil

Como o interesse das mulheres por empreendedorismo evoluiu ao longo do tempo?
Houve crescimento, sem dúvida nenhuma. Acho que essa amplificação que a gente tem (do empreendedorismo) por conta dessa revolução tecnológica está trazendo muito mais força para as mulheres. Alia-se a isso movimentos femininos – e não feministas – ao longo de todo o mundo ganhando força. Claro que ter mulher no poder também dá força ao movimento. Quando você vê mulheres como a Luiza Helena Trajano (do Magazine Luiza) liderando esses movimentos (femininos) o engajamento também aumenta, além de iniciativas como o MIA e a Rede Mulher Empreendedora. Uma pesquisa recente mostra que as mulheres empreendem mais por propósito do que por ganho financeiro. E quando você tem propósito, consegue passar por esses momentos difíceis com mais facilidade. A gente também se motiva com exemplos. Esses dias ouvi em uma reunião a história da fundadora da Dudalina. Ela teve 16 filhos e criou a maior camisaria da América Latina. Essas histórias nos motivam  e ajudam a aumentar o número de mulheres empreendedoras.

Qual a maior dificuldade da mulher que tem vontade de criar uma startup?
Acho que a principal dificuldade que a mulher tem é de acreditar em si mesma e entender o seu objetivo ao empreender e qual a sua meta. E depois quando ela atinge uma meta, precisa criar outras metas. Vejo pessoas chegando para mim e dizendo que precisam de dinheiro. Eu pergunto o motivo e dizem que é para capital de giro. Aí eu pergunto por que precisa de capital de giro e ela não sabe responder. Existe menos uma cultura de entender metas, indicadores e objetivos entre as mulheres até por uma questão histórica. A mulher se inseriu no mercado de trabalho muito depois do homem. É uma questão de tempo e dedicação para isso mudar.

Exite algum preconceito contra a mulher no mundo dos negócios? Você já sofreu algum preconceito?
Eu já sofri. E para mim na época foi muito doloroso.

O que aconteceu?
Sobre algumas coisas eu prefiro não falar. Quando eu tinha 23 anos fui dar uma palestra sobre negócios na área do café e dois caras saíram sala falando que não tinham o que aprender com uma mulher tão jovem.

Esse preconceito aparece mais na forma de descrédito sobre a capacidade da mulher ou  também como assédio?
Creio que a maioria é descrédito sobre a capacidade e conhecimento da mulher.  Eu já sofri muito, mas depois de olhar de fora, quando você pega uma situação dessas e coloca como aprendizado, a jornada fica mais tranquila. Tem aquela coisa da mulher precisar trabalhar dez vezes mais para provar sua capacidade. Em algum momento da minha vida já fiz isso, mas hoje isso é um erro para mim. Não tem que trabalhar mais para compensar nada, você tem é que trabalhar nos seus pontos fortes por você, não pelos outros.

Como podemos mudar essa cultura? Grupos inclusivos como o MIA podem influenciar essa mudança?
Acho que a mulher tem que entender e se conscientizar da importância do associativismo e do networking. Você precisa se unir com pessoas que têm interesses semelhantes aos seus. Eu, aos 25 anos, me sentia uma estranha no mundo. Eu queria abrir vários negócios e não tinha com quem dialogar, não tinham mulheres com as quais conversar sobre esse assunto. Isso mudou quando eu procurei outras mulheres que faziam o mesmo e aí pude dividir minhas angústias. Iniciativas como a MIA e prêmios de empreendedorismo para mulheres podem, sim, ajudar a promover um processo de engajamento maior.

Quais as dificuldades que você e suas sócias no MIA encontraram até agora fazendo esse trabalho com mulheres?
Eu acho que o brasileiro como um todo tem muito mais aversão ao risco. Quando você transporta isso para cenário de investimento-anjo, que é um movimento que está crescendo no Brasil, e analisa a participação de mulheres, você vê que elas não são nem 1% do setor. Temos um trabalho maior de catequização da mulher sobre investimento.

Quais mulher te inspiram?
Eu tinha algumas, mas descobri esses dias a história da Dona Adelina (fundadora da Dudalina) e hoje com certeza ela é uma grande inspiração para mim pelo que ela fez tendo 16 filhos. E a Elizabeth Holmes. Ela criou a empresa dela (Theranos, que realiza testes rápidos de sangue) e entrou para a lista da Forbes como a mais jovem bilionária do mundo, dona de uma empresa que vale hoje mais de US$ 40 bilhões. E a Oprah Winfrey.

Qual a sua meta na vida?
Meu propósito é fazer com que cada vez mais as pessoas sejam protagonistas da suas próprias vidas.

DICAS DA CAMILA FARANI

Como você organiza o seu dia a dia?
Eu faço uma leitura todo dia de manhã, por volta das 7h ou 7h30,  que pode ser desde física quântica até assuntos de negócios. Foi comprovado que quanto mais você aprende, mais desenvolve as suas conexões neurais e você fica mais inteligente. É como treinar um músculo para se desenvolver. Tento não olhar os e-mails e depois faço exercícios de duas a três vezes por semana. A cada três meses eu faço um curso de reciclagem, um curso que ajude a me desenvolver e ter uma visão mais espiritual, holística.

Quais apps você usa?
Slack (para bate-papo empresarial), Google Agenda, Dropbox e uso Evernote. Eu tenho problema:tenho tendência a fazer fluxograma de tudo. Gosto de fazer no papel e depois fotografo e coloco no Evernote.

Quais livros você indica?
O Ponto da Virada, do Malcolm Gladwell, o Comece por Você, do Reid Hoffman, fundador do LinkedIn e o da Oprah Winfrey (O que eu sei de verdade). Tem uma série de outros livros mais técnicos que eu consulto para entender um pouco mais do ecossistema (de startups). Agora livros de estratégia são mais esses. O Comece por Você mostra que o mais importante é sempre você analisar o seu objetivo e em vez de pensar macro, pensar em objetivos micro por um ano. Uso muito esse conceito nas minhas aulas. O da Oprah tem muito a questão da superação. Quando estou meio caída, consulto para ver relatos de como ela passou por algumas situações.

Fonte: Link Estadão

Camila Farani

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