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A inovação dos desconectados

É inegável que a conectividade nos tornou praticamente super humanos: multiplicou nossas horas produtivas, fez com que transitássemos de forma fluida entre tempos e espaços, reinventou a forma como trabalhamos, estudamos e consumimos. Ficamos mais elásticos e disponíveis, mas ao mesmo tempo mais suscetíveis a novas formas de dependência. O vício em tecnologia representa hoje um dos males mais debatidos do século de 21, mas ao mesmo tempo tornou-se um dos grandes nichos de mercado para inovação.

Reduzir o vício nas telas e estimular o contato olho no olho já faz parte da pauta da maior parte das empresas de tecnologia, como Apple, Google, Facebook e Amazon. Mas esses mecanismos de controle têm efeito limitado por um simples motivo: seus negócios dependem do uso da tecnologia, têm métricas atreladas ao tempo online. Assim, algumas alternativas reais para desconectar virão de empresas que consigam inovar em criar serviços ou produtos que estimulem o bem-estar e a felicidade.

A consultoria Loup Ventures, em seu estudo sobre o mercado pouco explorado das alternativas ao vício de tecnologia, criou uma matriz em que divide soluções de software e experiências capazes de motivar felicidade e prosperidade e produtividade. Isso, considerando tratar os sintomas característicos ao vício nas telas: sensação de inferioridade, agressividade e distrações. As soluções baseadas em software envolvem ferramentas de controle ou bloqueadores de uso aplicativos, por exemplo. Do lado das experiências, a maior oportunidade de negócios está em criar soluções que promovam interação de relacionamento, comunidades e família, além dos espaços de descompressão.

Os negócios com maior probabilidade de serem bem-sucedidos são aqueles com apelos menos proibitivos e mais incentivadores do bem-estar. Produtos e serviços análogos aos de bem estar, dieta e ginástica devem estar na pauta dessas empresas. O raciocínio é o seguinte: as pessoas pagam por programas de emagrecimento ou acompanhamento em exercícios físicos porque conseguem sentir efeitos de bem-estar ao participarem deles. O mesmo acontecerá quando existirem programas focados na desconexão. Nesse sentido, as pessoas poderiam pagar para se desconectar uma vez que conseguissem comprovar esses resultados.

Apps de meditação encaixam-se paradoxalmente nessa esfera. Eles faturaram mais de 100 milhões de dólares no ano passado, e ganharão parte expressiva do mercado estimado em 2 bilhões de dólares até 2022. E a relação é: as pessoas pagam porque sentem-se bem ao utilizá-los, ainda que o meio online seja exatamente aquele que mais causa estresse ou vício. A próxima fronteira estará em explorar outras frentes além daquelas que usam smartphones, tablets ou meios digitais como vetor.

Vale lembrar que alguns protótipos começam a surgir também na área de hardware com o apelo da desconexão. O “minimalista” Traveler é um exemplo, laptop sem navegador, sistema operacional ou aplicativos de mensagens. É uma ferramenta de trabalho para quem precisa produzir textos, traz tela de tinta eletrônica e apenas sincroniza com Dropbox, Google Drive, Evernote. Promete zero distrações. O protótipo levantou quase 400 mil dólares com recursos de crowdfunding. Não falo sobre o aparelho em si como o grande divisor de águas na relação produtividade da desconexão, mas sim sobre alguns indícios aos quais a indústria começa a observar. Aqueles que conseguirem provar benefícios reais, mostrando mais resultados do que buzz, tendem a sair na dianteira na preferência dos usuários que gradualmente procurarão uma alternativa para atenuar os efeitos negativos do vício nas telas.

Camila Farani

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